E é isso mesmo que me faz sentir realizada em cada “click” meu, as minhas imagens imortalizam o que o tempo registou e a memória de quem viveu, guardou…
Com uma tábua, quatro rodas e um eixo de ferro entre elas… oiço o barulho de um skate rolar no alcatrão… haverá som mais inquietante e tranquilizante ao mesmo tempo?!
O skate é uma arte marginalizada pela sociedade, as pessoas continuam a criminalizar o skate e a “apedrejar” os que fazem dele um modo de vida… Mas estará a nossa sociedade preparada para ser confrontada com tamanha arte?!
É-lhes apontado o dedo todos os dias pelo barulho ou pelo mármore estragado… sendo assim associado o skate, a uma forma de vandalismo e destruição do ambiente… Comparemos então, a poluição que um carro, uma mota, um papel no chão, dois papeis no chão, vários papeis no chão, um plástico (que demora dezenas de anos a degradar-se) a falha na separação do lixo ou um cigarro… à poluição que um skate provoca (se é que provoca!)… Será realmente o skate o destruidor do ambiente ou será essa mesma sociedade, que lhes aponta o dedo?!
Sento-me a observar os skaters num half – pipe e percebo cada vez mais a pura arte que o skate é em si, a união e dedicação de pessoas de estilos totalmente diferentes e que amam de igual modo esta modalidade… Terá a nossa sociedade hipótese contra algo, aparentemente, tão impossível de unir?! Não! Porque só o skate o consegue, porque só o skate reúne desde a criança mais pequena ao adulto mais velho, do estilo mais soft ao mais freak, só o skate consegue apagar o espírito de competição e ganância…
Costuma-se dizer que muitos surfistas vêm no skate a sua maior inspiração, também é verdade que houve movimentos contrários. Mas o verdadeiro skate não é feito em half-pipes, em estruturas de madeira bem montadas, é como fazer surf numa piscina. Há uma procura urbana de lugares onde executar manobras, fazer saltos, ou só deslizar na pedra - entre uma sequência de truques - é que conta, limpar bem o asfalto das pedrinhas e “surfar” no cimento.
No fundo eles riem, choram, gostam, desgostam, lutam, esforçam, partilham, idealizam, gritam, … mas acima de tudo, amam, acreditam e vivem!
Cláudia d´Almeida